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segunda-feira, 3 de setembro de 2012

O show do horário político



O circo está armado, e os palhaços, mágicos, engolidores de fogo, domadores de gatos, adestradores de pulgas, pastores, cantores e dançarinos estão fazendo seus espetáculos nos bairros periféricos, nos eventos populares e no horário político.

Basta assistir o horário de humor político, ou melhor, de terror político para ficar indignado com a falta de opção.

No país das CPIs (92 nos últimos anos e 7 em andamento), os grandes homens e mulheres que poderiam fazer a diferença, preferem não se meter nesse coloio, alguns até tentam, mas pulam logo fora. Se manter honesto nesse meio é difícil, e em algumas cidades do Brasil é o mesmo que assinar o atestado de óbito.

Só em Alagoas são 305 candidatos para prefeito e 7.117 candidatos para vereador. Imaginem só, são mais de 300 candidatos para uma vaga de vereador!

Agora pensem comigo, quantos desses candidatos estão na política pela ideologia de defender os direitos dos que representam? E quantos estão pela ideologia capitalista que visa o acúmulo de riquezas com o dinheiro do povo?

Voltando ao horário de humor dos candidatos de Alagoas, podemos ver todo tipo de artista, uns fantasiados e outros que mesmo sem fantasias continuam mascarados. São os mágicos, como diz meu pai, que aparecem durante as eleições e somem depois de eleitos.

Por mais doloroso que seja assistir ao show do horário político, resolvi testar minha paciência para ver se consigo encontrar pelo menos um que mereça meu voto.

E o show começou, são tantas figuras caricatas que eu não consegui segurar o riso.

Tem um tal de Roberto Carlos que nem cantar sabe e um Michael Jackson que assusta qualquer criança. O que não falta nessa eleição são palhaços que querem mudar de picadeiro, no lugar do picadeiro do circo vão fazer marmelada no picadeiro da câmara de vereadores.

Professores com discursos meia boca representando a classe, médicos que desistiram das jornadas duras em hospitais para ganhar dinheiro fácil. Ex políticos contando com à amnésia do povo para se reeleger, outros dizem ser o novo, jornalistas que usam a popularidade de apresentador para ganhar votos. Tem até um que mal falava com as pessoas e agora beija qualquer morador de rua na frente das câmaras. Tem carteiros, taxistas, pedreiros…

Deficientes que usam a deficiência para se eleger, candidatos ventríloquos que colocam parentes para falar por eles.

Todos se dizem santos, profetas, deuses que vão tirar Alagoas da cabeça das listas dos piores índices do Brasil. Santos sim!, porque depois de eleitos só com muita reza para que eles cumpram pelo menos uma das promessas de campanha.

Vou roubar um bordão usado por um candidato, “Eu acho é tome!” para as pessoas que escolhem esses palhaços como seus representantes. Lugar de palhaço é no circo e de artistas é fazendo novela.

A política é lugar para pessoas sérias, honestas, com a ideologia de defender as necessidades e direitos do povo e não de fazer fortunas à custa dele.


 
 
(Mônica Liberato)

 

 

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