O circo
está armado, e os palhaços, mágicos, engolidores de fogo, domadores de gatos,
adestradores de pulgas, pastores, cantores e dançarinos estão fazendo seus
espetáculos nos bairros periféricos, nos eventos populares e no horário
político.
Basta assistir
o horário de humor político, ou melhor, de terror político para ficar indignado
com a falta de opção.
No país
das CPIs (92 nos últimos anos e 7 em andamento), os grandes homens e mulheres
que poderiam fazer a diferença, preferem não se meter nesse coloio, alguns até
tentam, mas pulam logo fora. Se manter honesto nesse meio é difícil, e em algumas
cidades do Brasil é o mesmo que assinar o atestado de óbito.
Só em
Alagoas são 305 candidatos para prefeito e 7.117 candidatos para vereador.
Imaginem só, são mais de 300 candidatos para uma vaga de vereador!
Agora
pensem comigo, quantos desses candidatos estão na política pela ideologia de
defender os direitos dos que representam? E quantos estão pela ideologia
capitalista que visa o acúmulo de riquezas com o dinheiro do povo?
Voltando
ao horário de humor dos candidatos de Alagoas, podemos ver todo tipo de
artista, uns fantasiados e outros que mesmo sem fantasias continuam mascarados.
São os mágicos, como diz meu pai, que aparecem durante as eleições e somem
depois de eleitos.
Por mais
doloroso que seja assistir ao show do horário político, resolvi testar minha
paciência para ver se consigo encontrar pelo menos um que mereça meu voto.
E o show
começou, são tantas figuras caricatas que eu não consegui segurar o riso.
Tem um
tal de Roberto Carlos que nem cantar sabe e um Michael Jackson que assusta
qualquer criança. O que não falta nessa eleição são palhaços que querem mudar
de picadeiro, no lugar do picadeiro do circo vão fazer marmelada no picadeiro
da câmara de vereadores.
Professores
com discursos meia boca representando a classe, médicos que desistiram das
jornadas duras em hospitais para ganhar dinheiro fácil. Ex políticos contando
com à amnésia do povo para se reeleger, outros dizem ser o novo, jornalistas
que usam a popularidade de apresentador para ganhar votos. Tem até um que mal
falava com as pessoas e agora beija qualquer morador de rua na frente das câmaras.
Tem carteiros, taxistas, pedreiros…
Deficientes
que usam a deficiência para se eleger, candidatos ventríloquos que colocam
parentes para falar por eles.
Todos se
dizem santos, profetas, deuses que vão tirar Alagoas da cabeça das listas dos
piores índices do Brasil. Santos sim!, porque depois de eleitos só com muita
reza para que eles cumpram pelo menos uma das promessas de campanha.
Vou
roubar um bordão usado por um candidato, “Eu acho é tome!” para as pessoas que
escolhem esses palhaços como seus representantes. Lugar de palhaço é no circo e
de artistas é fazendo novela.
A
política é lugar para pessoas sérias, honestas, com a ideologia de defender as
necessidades e direitos do povo e não de fazer fortunas à custa dele.

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